Uma vida mais leve | Vitta Vivace

Uma vida mais leve

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Atenta ao novo momento em que todos estamos passando, sob os efeitos do confinamento, a coordenação pedagógica do Vitta conversou com a psicóloga Vanessa Grecco, especialista em Psicopatologia e Saúde Pública e Saúde da Família, para ajudar os alunos e seus familiares a lidarem com o aumento das pressões, cobranças e todo os sentimentos que envolvem a situação.

Com tantas demandas para realizar no trabalho, na escola e em casa, sem ter a liberdade de sair, encontrar amigos e familiares, é comum que as pessoas fiquem mais nervosas, sensíveis e até frágeis, por isso, é importante olhar para si, assumir as inseguranças e encontrar formas para se cuidar.

Para Vanessa Grecco, é imprescindível ser sincero com seu próprio sentimento, assumir medos, incertezas e preocupações. Chorar quando sentir vontade, dançar, cozinhar e até inventar algo diferente se perceber que aquilo que faz sempre não é mais suficiente. “Quanto maior nossa compreensão sobre nós mesmos, eis aqui o famoso autoconhecimento, menos pesado será o percurso”, destaca.

A especialista explica que é possível, nesse período, as pessoas se depararem com um aumento de ansiedade, de sensação de tristeza, insegurança, impotência e irritabilidade. “Tudo o que é novo nos causa estranhamento e diferentes sentimentos. Se percebermos mudanças em nossos comportamentos que estejam nos trazendo prejuízos e sofrimento, como deixar de tomar banho ou de dormir, é necessário buscar ajuda”.

Uma dica prática para ajudar a lidar com estes sentimentos é a organização. Ao acordar, estipule quais são as tarefas do dia, faça um cronograma apenas do que poderá realizar naquelas 24 horas, divida as tarefas, comece e termine uma atividade antes de iniciar outra. “Não tenha medo de tentar novas maneiras de funcionar, caso perceba que esse novo jeito não está bom, pare, reavalie, trace um novo plano e tente de novo. Se conseguirmos estabelecer uma nova rotina, uma agenda mais eficiente, esses sentimentos de pressão e cobranças, tendem a diminuir”, afirma Vanessa.

E para se acalmar, cada um tem a sua válvula de escape, seja comer um chocolate ou praticar uma atividade física, escrever sentimentos e emoções como se fosse um diário ou fazer meditação, tudo vale. “Eu costumo orientar técnicas de respiração profunda (inspira bem grandão pelo nariz, prende o ar um pouquinho e expira pela boca, assoprando bem devagarzinho)”.

 

A rotina da criança

Assim como a rotina de trabalho do adulto mudou, a rotina das crianças em relação aos estudos também está diferente. Como qualquer mudança, haverá retrocesso, tropeço, para depois avançar. “Os pais devem ter paciência, ajudar seus filhos na organização das atividades e, assim, tornar a rotina de estudo mais eficaz”, sugere Vanessa.

Já com a escola, o diálogo é sempre a melhor resposta para eventuais dúvidas e conflitos. “Percebo que as escolas e os educadores, de modo geral, estão se esforçando e tentando oferecer às crianças e aos adolescentes um ensino de qualidade. Os pais devem estar presentes e próximos da escola, tirar suas dúvidas com os coordenadores, peçam ajuda se for necessário, mas se comuniquem sempre”, indica.

Quando a saudade do amigo ou de um familiar apertar, use a tecnologia para que a criança possa conversar, porque a distância é física, mas não precisa ser afetiva. Isso vale para os adultos também, converse por voz ou vídeo com os amigos, busque grupos de apoio on-line, estreite o vínculo com os vizinhos, por exemplo, converse da janela, da sacada, da varanda e do quintal. 😉

Em relação à angústia de estar dentro de casa, é importante explicar para a criança sobre o atual momento e porquê é fundamental o distanciamento. “Ás vezes, as angústias que acreditamos ser das crianças, são nossas. Não deixem de conversar com os pimpolhos, eles sempre nos surpreendem com suas respostas”, diz a psicóloga.

E para acalmar os ânimos e tornar tudo mais próximo e feliz, Vanessa sugere que os pais perguntem a seus filhos o que gostariam de fazer, para que descubram estratégias juntos de se acalmarem. “Por mais complicado e distante que pareça, atividades de meditação com crianças funcionam muito bem. Desenhar, inventar e contar histórias são boas alternativas, mas cada criança vai exigir técnicas e cuidados diferenciados, por isso, aposto sempre na boa e franca conversa”.

 

Confinamento

 

Sobreviver às paredes de casa não é uma tarefa muito fácil, mas buscar conforto no que traz prazer, pode ser uma saída. Ler, assistir a filmes e séries, ouvir música, cozinhar, comer, fazer artesanato, não importa a escolha, o que vale é ter satisfação. “Ficar em casa é a melhor maneira de se prevenir e não precisamos tornar isso um castigo, um martírio e nem um problema. Ter em mente que isso é benéfico nesse momento e que é uma situação passageira, torna esse enfrentamento menos doloroso”, ressalta a especialista.

 

Preocupações

A lista é grande, é o emprego, o desempenho escolar, o medo de ficar doente, de perder uma pessoa querida, entre uma infinidade delas.

Ainda que as finanças tirem o sono de muita gente, Vanessa diz que é preciso focar no pensamento positivo, para não criar fantasias negativas sobre o futuro e evitar mais sensações ruins no dia a dia, pensar no hoje, no que possível fazer agora e viver um dia de cada vez. “Ter planos e objetivos para amanhã são sempre bem-vindos, mas nossas ações estão aqui no presente”.

Quanto ao luto, a psicóloga alerta que ele faz parte da vida e precisa ser vivido, sentido. Em sua opinião, a teoria sobre as cinco fases do luto – negação, raiva, negociação ou barganha, depressão e aceitação – criada pela psiquiatra Elisabeth Kubler Ross, auxilia muito quando se está nessa situação.

“Na negação, podemos não acreditar no acontecimento. Na raiva, sentimentos de raiva, dor, medo, culpa podem estar presentes. A fase de negociação, normalmente, acontece quando a vivência da raiva não traz alívio, sendo assim, a pessoa pensa em fazer alguma coisa que possa reverter o que aconteceu. Na fase da depressão, quem vivenciou a perda apresenta intenso sofrimento, chora, se isola, repensa sobre a vida. Na fase de aceitação, o sofrimento está mais suavizado e a pessoa consegue de maneira mais tranquila pensar sobre a perda, ter expectativas mais realistas e reestruturar-se”, informa a especialista em Psicopatologia e Saúde Pública e Saúde da Família.

Para ela, não tem fórmula mágica para lidar com preocupações e medos, mas vale voltar os esforços para o que se pode fazer hoje. “Vamos nos cuidar, ficar em casa, sair apenas se necessário e manter as medidas de distanciamento e higiene”, alerta.

 

A especialista

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Vanessa Teixeira Grecco, psicóloga especialista em Psicopatologia e Saúde Pública e Saúde da Família, atua no Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF).

Formada em Psicologia pela Universidade Mackenzie, Vanessa tem especialização em Psicopatologia e Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP) e especialização em Saúde da Família pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

 

Seu recado 😉

“Gostaria de reforçar que, nesse momento, é importante a gente pegar mais leve com a gente. Não se cobrar tanto, assim como não cobrar o outro também. Buscar fazer coisas que tragam mais satisfação e prazer. Aproveitar esse tempo pra refletir sobre quem somos, o que queremos e o que podemos fazer por nós e para melhorar nossa qualidade de vida e quem sabe por um mundo melhor. Exercite a empatia. Busque se reconectar com você mesmo, valorize suas conquistas até mesmo aquelas beeeeem pequeninas. Se cuide!”

 

 

 

Créditos fotos

Abertura: Pixabay

Vanessa Grecco: perfil do LinkedIn

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